Krystyna Dąbrowska

Krystyna Dąbrowska (leia-se: Dombrofska), uma das vozes mais interessantes da poesia polonesa de hoje, nasceu em 1979. Sua poesia recebeu vários prêmios, entre os mais significantes o Kościelski e da Fundação Wisława Szymborska, talvez o prêmio mais importante da atualidade para o melhor livro poético produzido na Polônia no ano, fundado pela poeta ganhadora de prêmio Nobel. Os dois lauréis foram outorgados a Dąbrowska pelo seu segundo livro de poesias, Białe krzesła (Cadeiras brancas), em 2013. Além dele, a poeta publicou até agora quatro volumes de poesia: Biuro podróży (A agência de viagens), em 2006, Czas i przesłona (O tempo e o diafragma fotográfico), em 2014, e Ścieżki dźwiękowe (Trilhas sonoras), em 2018. Além de poeta é também artista gráfica, tradutora e ensaísta. Sua poesia observa atentamente o mundo que a rodeia: seja em viagem, seja em casa, o seu olhar aguçado e compassivo percebe as particularidades do fenômeno humano e o retrata com humor e transparência semântica. A relação do eu com o outro vista em situações íntimas ou em relação mais distantes, a fronteira móvel entre nós e o mundo, parecem ser seus temas mais importantes. A publicação de uma seleta de seus poemas está nos planos da editora Âyiné.

***

A AGÊNCIA DE VIAGENS

Sou uma agência de viagens para os mortos
organizo para eles voos para os sonhos dos vivos.
Vêm até mim personalidades famosas, como Heráclito,
para visitar um escritor apaixonado por ele,
mas também mortos não conhecidos amplamente – como um agricultor da aldeia Wasiły,
que quer aconselhar sua mulher a respeito da criação de coelhos.
Às vezes uma família de muitas gerações aluga um avião
e pousa na testa do último descendente,
lido também com os assassinados,
que, cursando frequentemente os sonhos dos sobreviventes,
juntam pontos no programa frequent flyer.
Não nego meus serviços a ninguém.
Encontro os melhores roteiros
e me culpo quando um jovem rapaz,
para chegar ao sonho da sua namorada,
precisa voar com uma conexão no sonho de uma dona que ronca.
Ou quando as condições do tempo provocam um pouso de emergência
e o morto liga: faça algo,
fiquei preso no sonho de uma criança apavorada!
Acidentes assim são um estresse e um desafio para mim, uma pequena agência com grandes ambições –
pois embora não tenha ingresso nem para o mundo dos mortos e
nem para os sonhos alheios,
é graças a mim que eles se encontram.


*** (SOMOS UM DICIONÁRIO…)

Somos um dicionário. As nossas línguas
encontram-se entre capas trêmulas.
Traduzem o corpo para a alma, a alma para o corpo,
o desejo, a satisfação para o suor e o esperma.
No lugar de verbetes na ordem alfabética,
o alfabeto em liberdade, o “o” sussurrado, o “a” alto
e uma confusão de terminações masculinas e femininas.
Que nome os seus dedos têm para mim?
Como a minha barriga quente apelida você?
Nossas respirações – páginas viradas
em busca de palavras desconhecidas,
das quais que sentença vai se formar?

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