Pau-de-Arara

Tempo de lamber as feridas
recolher as garras e escolher
as palavras que não serão ditas.
Atravessar o deserto de signos
Nu. Músculos flácidos
Valores esfarrapados.
Impossível bloquear
O dia inaugural do pesadelo
que resiste como resiste o vermelho
das inscrições nos muros,
ou a lembrança dos pássaros mortos.
Pulsos presos aos tornozelos,
barra de ferro entre os braços
e as dobras do joelho.
O cu à mostra
voz escura do algoz da hora
eletrodos nas têmporas,
no saco, no pau, no ânus.
Ânus? No cu.
a cabeça pendida para trás,
olhar inverso
o mundo ao contrário
aproximam-se as mãos
as luvas ásperas
e um bastão negro.
Navego contra a corrente;
procuro rostos,
no silêncio frio de uma génese.
Tenho frio.
Deixo que meus olhos
se libertem da sombra,
depois de uma noite de medos,
para me abrigar na luz
estéril da madrugada

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